Parada aqui, nesse dia chuvoso e vazio, volto a pensar em nós dois. Em você, sendo mais específica. Está frio hoje, exatamente como você gostava. Você falava que o frio se convertia em calor dentro das pessoas, deixando-as mais amigáveis, doces. Você dizia que em dias como este, as coisas eram mais valorizadas. O conforto da cama, um beijo, um abraço, um dia em família, assistir um filme… Você dizia que tudo e todos pareciam mais aconchegantes, mais receptivos. Que o desejo de tudo era mais intenso no frio que no calor. Mas você também gostava do calor. Do clima de agitação, dos sorrisos em cada rosto que passava, das festas, das praias, do pôr do sol… Você achava gostoso poder enxergar a lua e as estrelas nada encobertas por nuvens. Você sempre estava tentando ao máximo enxergar o lado bom das coisas, valorizar aquilo que tinha. Você não entendia quando desejavam o frio em dias quentes e o calor em dias frios, não entendia essa mania que as pessoas têm de nunca estarem satisfeitas. E, agora, eu que não consigo entender isso. Não consigo entender por que te desejo tanto justamente quando não posso, por que dou mais valor a ti agora do que quando o tinha.